Equipe cirúrgica do Dr. Bruno Fernandes durante procedimento de Estimulação Cerebral Profunda

Estimulação Cerebral Profunda (DBS)

Quando a medicação já não é suficiente, existe um próximo passo.

  • Doença de Parkinson
  • Tremor Essencial
  • Distonia

Entenda como funciona o tratamento cirúrgico ajustável e reversível para doenças do movimento, e descubra se ele pode ser indicado para o seu caso.

A Estimulação Cerebral Profunda (DBS) é um tratamento cirúrgico ajustável e reversível para Parkinson, tremor essencial e distonia, quando a medicação já não controla bem os sintomas. Em Aracaju, o Dr. Bruno Fernandes conduz a avaliação, o implante dos eletrodos e a programação do dispositivo, em conjunto com o neurologista do paciente.

Autor: Dr. Bruno Fernandes, CRM-SE 3918 · RQE 3496 — Publicado em 06 de agosto de 2026 · Revisado em 06 de agosto de 2026

Você reconhece esta situação?

Os remédios funcionavam bem no início, mas hoje o efeito dura cada vez menos. O tremor atrapalha tarefas simples, como assinar um documento ou tomar um café. Os períodos desligados do Parkinson roubam horas do dia. Os efeitos colaterais da medicação, movimentos involuntários, sonolência, náusea, se tornaram um problema tão grande quanto a própria doença. Se você ou alguém da sua família vive algo parecido, saiba que isso não significa que não há mais o que fazer. Em muitos desses casos, é exatamente nesse momento que a Estimulação Cerebral Profunda passa a ser uma opção a considerar.

O que é a Estimulação Cerebral Profunda (DBS)?

A Estimulação Cerebral Profunda, ou DBS (Deep Brain Stimulation), é um procedimento neurocirúrgico funcional que utiliza eletrodos implantados em áreas específicas e profundas do cérebro para modular a atividade elétrica responsável por determinados sintomas neurológicos. É um tratamento multidisciplinar, que envolve neurocirurgião, neurologista e equipe de programação especializada. Diferente de uma lesão permanente, o DBS é ajustável e reversível: os parâmetros de estimulação podem ser modificados ao longo do tempo, de acordo com a evolução do paciente. A técnica é utilizada no mundo há cerca de três décadas, com mais de 200 mil pacientes já tratados globalmente, e é reconhecida pelas principais diretrizes internacionais de doenças do movimento.

Sinais de que pode ser hora de avaliar o DBS

  • A medicação perdeu efeito ou o efeito dura pouco, fim de dose cada vez mais precoce
  • Flutuações importantes ao longo do dia entre períodos ligado e desligado
  • Movimentos involuntários (discinesias) causados pelos próprios remédios
  • Tremor que não responde à medicação e limita atividades básicas, como escrever, comer ou se vestir
  • Distonia com contrações e posturas dolorosas apesar do tratamento clínico
  • Necessidade de doses cada vez maiores, com efeitos colaterais limitantes

Identificar-se com um ou mais itens acima não significa indicação automática de cirurgia. Significa que uma avaliação com equipe especializada em doenças do movimento pode mudar o rumo do tratamento.

Quero saber se sou candidato(a)

Como funciona o tratamento, passo a passo

  1. 01

    Avaliação especializada

    Neurologista e neurocirurgião avaliam em conjunto o histórico, os sintomas, a resposta à medicação e os exames, para confirmar ou descartar a indicação.

  2. 02

    Planejamento estereotáxico

    Exames de imagem específicos permitem mapear com precisão milimétrica os núcleos cerebrais-alvo.

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    Implante dos eletrodos

    Os eletrodos são posicionados com auxílio de tecnologia de navegação e, em alguns casos, com o paciente acordado para testes funcionais em tempo real.

  4. 04

    Implante do gerador

    Um gerador de pulsos é implantado sob a pele, geralmente no tórax, conectado aos eletrodos por uma extensão subcutânea. Nada fica aparente.

  5. 05

    Programação e ajustes

    Nas semanas seguintes, o dispositivo é programado e refinado em consultas de retorno, junto com o ajuste gradual das medicações.

O DBS é para mim?

A indicação de DBS depende de uma avaliação individualizada, feita por neurologista e neurocirurgião especializados em doenças do movimento. Ela costuma ser considerada quando os sintomas não respondem mais de forma satisfatória à medicação, ou quando os efeitos colaterais dos remédios se tornam limitantes. Nem todo paciente com Parkinson, tremor ou distonia é candidato ao procedimento, e por isso a avaliação especializada é indispensável antes de qualquer decisão.

Veja como é, na prática

Vídeo completo sobre todas as etapas da cirurgia de DBS para Parkinson, do planejamento ao implante.

A cirurgia é perigosa? Vou sentir dor?

Como todo procedimento neurocirúrgico, o DBS envolve riscos, embora complicações graves sejam pouco frequentes quando o procedimento é realizado por equipe experiente em centro habilitado. As etapas realizadas com o paciente acordado são feitas sob anestesia local, o cérebro em si não possui receptores de dor, e o paciente é acompanhado continuamente pela equipe. Possíveis complicações do implante, como infecção ou sangramento em uma minoria dos casos, e efeitos relacionados à estimulação são discutidos individualmente na consulta, e estes últimos costumam ser corrigíveis por reprogramação do dispositivo.

Quanto tempo dura a internação e a recuperação?

Em geral, a internação dura poucos dias, e a maioria dos pacientes retoma atividades leves em poucas semanas. O cronograma exato varia conforme o quadro clínico de cada paciente e é detalhado na avaliação pré-operatória.

Quando começo a perceber os resultados?

Depende da condição tratada. No tremor essencial e no Parkinson, efeitos sobre o tremor costumam ser perceptíveis já nos primeiros testes de estimulação, embora o ajuste fino ocorra ao longo de semanas a meses de programação. Na distonia, a resposta tende a ser mais gradual. O acompanhamento regular é parte essencial do resultado.

E o DBS para transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)?

O uso de estimulação cerebral profunda em transtornos psiquiátricos é matéria distinta das doenças do movimento. No Brasil, procedimentos neurocirúrgicos para transtornos psiquiátricos são regidos por resolução específica do Conselho Federal de Medicina, que estabelece critérios próprios de indicação, exige avaliação e acompanhamento por equipe multidisciplinar com participação psiquiátrica e restringe a realização a contextos determinados. Na prática, isso significa que não se trata de uma indicação de rotina, e que nenhum paciente é encaminhado a esse caminho a partir de uma página de internet. Se essa é a sua situação, o passo correto é a avaliação conjunta com o psiquiatra que acompanha o caso.

Existe limite de idade para o DBS?

Não existe um corte rígido de idade. O que se avalia é o quadro clínico global: condição cognitiva, estado de saúde geral, tempo de doença e tipo de sintoma predominante. Pacientes em faixas etárias mais avançadas podem ser candidatos, desde que a avaliação multidisciplinar indique benefício e segurança.

O plano de saúde cobre o DBS?

O DBS possui cobertura prevista no rol da ANS para indicações estabelecidas. Cada caso exige documentação e justificativa técnica adequadas, e nossa equipe orienta o paciente e a família em todo esse processo administrativo junto ao convênio.

A bateria acaba? Preciso trocar o aparelho?

Os geradores possuem vida útil variável conforme o modelo e os parâmetros de estimulação. Existem dispositivos recarregáveis, com maior longevidade, e não recarregáveis, cuja troca é feita por um procedimento simples, sem necessidade de mexer nos eletrodos cerebrais. A escolha do modelo é discutida individualmente.

Depois do implante, posso fazer ressonância magnética? E passar por detectores de metal?

Os sistemas atuais de DBS são, em sua maioria, condicionalmente compatíveis com ressonância magnética, respeitando protocolos específicos. Detectores de metal (aeroportos, bancos) podem ser atravessados com orientações simples, e o paciente recebe um cartão de identificação do dispositivo.

E se o resultado não for o esperado?

Essa é uma das grandes vantagens do método: o DBS é ajustável e reversível. Os parâmetros podem ser reprogramados inúmeras vezes, e, em situação extrema, o sistema pode ser desligado ou removido, diferentemente de técnicas que produzem lesão definitiva no tecido cerebral.

Preciso continuar tomando a medicação após o DBS?

Na maioria dos casos, sim, ainda que muitas vezes em doses menores. O DBS não substitui totalmente a medicação, mas trabalha em conjunto com ela para otimizar o controle dos sintomas. O ajuste das doses é feito de forma gradual pelo neurologista, em conjunto com a programação do dispositivo.

Meu familiar tem Parkinson há muitos anos. Ainda dá tempo?

O tempo de doença é um dos fatores avaliados, mas não é o único. Há uma janela em que o benefício tende a ser maior, por isso, quanto antes a avaliação for feita, mais opções tendem a estar disponíveis. Mesmo em casos de longa evolução, a avaliação especializada é o único meio de saber com segurança o que pode ser feito.

Sua dúvida não está entre as perguntas acima? Envie sua pergunta, teremos satisfação em responder.

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Quais as vantagens do DBS em relação a outros tratamentos?

Ao contrário de procedimentos que causam uma lesão definitiva no tecido cerebral, o DBS é ajustável e reversível, o que permite adaptar o tratamento conforme a evolução da doença. Em alguns casos é possível reduzir a dose de medicações, diminuindo efeitos colaterais associados a elas. A estimulação pode ser recalibrada ao longo dos anos sem necessidade de uma nova cirurgia nos eletrodos.

Outras opções para os mesmos sintomas

O DBS não é o único caminho funcional. No tremor essencial, a radiocirurgia é uma alternativa para pacientes que não desejam ou não podem passar por um implante.

Onde o tratamento acontece

Avaliação, indicação, programação e acompanhamento são feitos no consultório, em Aracaju. O implante é realizado em hospital do corpo clínico: Hospital Primavera, Hospital São Lucas, Hospital Unimed Sergipe ou Hospital Decos, definido conforme o procedimento e o convênio. As consultas de programação são parte do tratamento, não um complemento: é nelas que o resultado se constrói.

Por que a equipe multidisciplinar faz diferença?

O sucesso do tratamento com DBS depende diretamente da atuação conjunta entre neurocirurgião e neurologista, desde a indicação até o acompanhamento pós-operatório. Enquanto o neurocirurgião é responsável pelo planejamento e implante dos eletrodos, o neurologista conduz a programação fina do dispositivo e o ajuste medicamentoso, etapas essenciais para o resultado a longo prazo. Fisioterapia, fonoaudiologia e apoio psicológico complementam o cuidado quando indicados.

Quem conduz o tratamento

Dr. Bruno Fernandes, Neurocirurgião

CRM-SE 3918, RQE 3496

Professor Adjunto de Neurocirurgia da Universidade Federal de Sergipe e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS/UFS). Diretor do Departamento de Radiocirurgia da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

Residência em Neurocirurgia pela UNIFESP, fellowship em Neurocirurgia Funcional e Radiocirurgia pelo HCor Neurociência, mestrado profissional em Tecnologias e Atenção à Saúde pela UNIFESP, doutorado em Psiquiatria pela USP e doutorado em Ciências da Saúde pela UFS, com observership em neuro-oncologia no MD Anderson Cancer Center, em Houston.

Atuação em neurocirurgia funcional e estereotáxica, com fellowship na área pelo HCor Neurociência, incluindo implantes de estimulação cerebral profunda, palidotomia e talamotomia.

Currículo Lattes completo

O primeiro passo não é a cirurgia. É a conversa.

Uma avaliação especializada não compromete você com nenhum procedimento. Ela apenas responde, com base técnica, a uma pergunta que a família muitas vezes carrega sozinha há anos: "existe algo mais que possamos fazer?"

As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individualizada. Resultados variam de paciente para paciente.

Mais vídeos sobre DBS

Custo, candidatos, efeitos colaterais e planejamento, explicados pelo Dr. Bruno Fernandes no canal do YouTube.

Transcrição dos vídeos

Quanto custa uma cirurgia de DBS

Quanto custa uma cirurgia de DBS é uma pergunta que me fazem muito. Número um: a cirurgia não é um produto que você compra numa loja, e nós, médicos, não podemos fazer publicidade de preços. Número dois: essa cirurgia tem eficácia cientificamente comprovada e, portanto, é coberta pelos planos de saúde. Número três: cada caso é um caso, e montamos o plano respeitando as peculiaridades de cada paciente.

Para quem é a cirurgia de DBS?

Quem pode se beneficiar do DBS, um tratamento cirúrgico para a doença de Parkinson que, infelizmente, não é indicado para todos os pacientes? São três os principais critérios: ter pelo menos 4 anos de doença, não ter doença psiquiátrica grave ou demência, e ter uma resposta positiva a uma medicação chamada levodopa.

Quais os efeitos colaterais do DBS

Quais os efeitos colaterais do DBS? Vamos comentar alguns: infecção, que é rara mas possível no local do implante; dificuldades de fala, geralmente temporárias; dificuldades de equilíbrio ou tonturas passageiras; alterações de humor, alguns pacientes ficam um pouco mais irritados ou eufóricos; e, eventualmente, dificuldades cognitivas. É importante lembrar que a maioria desses efeitos são temporários e ajustáveis — nada é definitivo. Geralmente, junto ao paciente, ajustamos a programação para equilibrar os efeitos colaterais e os benefícios do tratamento, de maneira que o paciente melhore sua qualidade de vida. Os benefícios costumam superar muito esses efeitos colaterais eventuais.

DBS: O mini computador

Isso aqui é um mini computador que instalamos no peito do paciente para ajudar a controlar a doença de Parkinson. Ele tem duas funções interessantes: gera impulsos elétricos que controlam o tremor, e também é capaz de perceber a atividade cerebral e se ajustar sozinho. Resultado: mais qualidade de vida.

DBS pode ser a solução

Doença de Parkinson, tremor essencial, distonia, TOC, epilepsia: doenças tratadas classicamente com medicações. Mas, se os medicamentos não oferecem alívio completo ou causam efeitos colaterais significativos, o DBS pode ser uma opção para proporcionar melhor qualidade de vida. O tratamento cirúrgico é possível e deve ser considerado quando o resultado esperado não é atingido somente com as medicações.

Planejamento para cirurgia de DBS

Após adquirirmos a tomografia de planejamento, fazemos o planejamento: o médico, junto com o técnico de estereotaxia, vai ao computador e determina o local exato da posição do eletrodo. É nesse momento que avaliamos a trajetória que o eletrodo vai percorrer e a posição final, de maneira a conseguir estimular precisamente aquele ponto específico do circuito cerebral envolvido na doença de Parkinson. Essa etapa é fundamental, porque se o planejamento for inadequado, o tratamento não funciona. A cirurgia de DBS não é uma cirurgia perigosa, é de baixíssimo risco para o paciente — o maior risco é ela simplesmente não funcionar, porque o ponto do circuito que precisa ser estimulado é muito pequeno, da ordem de milímetros. Se o eletrodo ficar 2 ou 3 mm fora do ponto ideal, ele já não funciona como deveria.

Paciente com tremor essencial pós DBS

Veja este vídeo: este é um paciente meu com tremor essencial. Perceba como a simples tarefa de tomar um sorvete era praticamente impossível. Trinta dias depois, a mesma tarefa sendo executada com o aparelho ligado. Isso não é uma simples melhora de qualidade de vida, é uma mudança expressiva na vida de uma pessoa. Tremor essencial também pode ser tratado com cirurgia.

Quem tem DBS pode fazer ressonância magnética?

Quem tem DBS pode fazer ressonância? A resposta é sim, a depender do seu aparelho. A maioria dos aparelhos atuais é compatível com ressonância magnética, e você deve perguntar ao seu médico ou ao fabricante sobre a compatibilidade do dispositivo.

Tremor essencial tem tratamento!

Atenção, você que sofre de tremor essencial: sabia que é possível controlar os tremores? O tremor essencial não é apenas um tremorzinho, ele afeta seriamente a qualidade de vida das pessoas, porque significa perder autonomia. Quando os medicamentos não controlam os tremores, temos um tratamento chamado DBS — e o DBS não é só para Parkinson. Usamos eletrodos no cérebro para acalmar as áreas responsáveis pelo tremor, como um marca-passo cerebral. Os resultados costumam ser expressivos.

Existe cura para o Parkinson?

Reverter completamente o Parkinson ainda é um objetivo da ciência, mas isso não significa que não temos esperança. Temos estratégias para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Alguns conseguem manter uma qualidade de vida expressiva por vários anos mesmo após o diagnóstico. A chave está em um diagnóstico precoce, um tratamento personalizado e uma abordagem multidisciplinar.

Mesmo sendo progressivo, o Parkinson tem tratamento

O Parkinson não é uma doença de evolução súbita, mas uma marcha lenta e gradual que pode levar anos, décadas, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes. A progressão pode ser mais lenta ou mais rápida, mas em linhas gerais o quadro vai piorando. Existe tratamento: um deles é o DBS, que promove uma melhora de qualidade de vida. A doença continua progredindo, mas de um patamar mais elevado. O DBS não é uma cura, mas, para alguns pacientes, significa anos de vida com mais plenitude.