Radiocirurgia

Tratar uma lesão dentro do cérebro sem abrir o crânio, sem corte e, na maioria das vezes, indo para casa no mesmo dia.

  • Meningioma
  • Schwannoma vestibular
  • Tumor de hipófise
  • Metástase cerebral
  • Outros tumores intracranianos
  • Malformação arteriovenosa (MAV)
  • Neuralgia do trigêmeo
  • Tremor essencial

Radiocirurgia estereotáctica com precisão submilimétrica, em acelerador linear ou Gamma Knife, com a escolha da modalidade fazendo parte do planejamento do seu caso.

Você reconhece esta situação?

Você saiu da consulta com uma indicação de craniotomia e a palavra cirurgia não sai da sua cabeça desde então. Ou tem uma lesão pequena, descoberta por acaso, e ninguém explicou direito por que abrir o crânio seria a única saída. Ou já foi operado antes e a ideia de passar por tudo aquilo de novo é insuportável. Ou a idade, o coração, o uso de anticoagulante fazem o anestesista hesitar. Existe uma pergunta que quase ninguém faz na primeira consulta, e que muda o rumo de muitos casos: essa lesão precisa mesmo ser removida, ou pode ser controlada? Para uma parte relevante dos pacientes, a resposta é a segunda. É disso que trata esta página.

O que é radiocirurgia

Radiocirurgia é o tratamento de uma lesão dentro do crânio por meio de feixes de radiação cruzados, direcionados por coordenadas espaciais com precisão submilimétrica. Cada feixe, isoladamente, é fraco demais para causar dano ao tecido que atravessa. É no ponto onde todos se encontram, o alvo, que a dose se soma e se torna terapêutica. A comparação mais honesta é com uma lupa ao sol: a luz atravessa o vidro sem aquecer nada, e só queima onde o foco converge.

Apesar do nome, não há corte, não há bisturi e não se remove nada. A lesão não desaparece da imagem no dia seguinte: o que a radiocirurgia faz é interromper a capacidade daquelas células de se multiplicar, levando ao controle do crescimento ao longo de meses a anos. Por isso o acompanhamento por imagem faz parte do tratamento, e não é sinal de que algo deu errado. É também um procedimento multidisciplinar: participam o neurocirurgião, o radioterapeuta e o físico médico, e o plano de tratamento é construído em conjunto.

Radiocirurgia não é radioterapia

As duas usam radiação ionizante, e a confusão é frequente, inclusive entre profissionais de outras áreas. A radioterapia convencional distribui a dose por um volume maior e a fraciona em muitas sessões, ao longo de semanas, justamente para poupar o tecido sadio incluído no campo. A radiocirurgia concentra uma dose alta num alvo pequeno e bem delimitado, em sessão única ou em pouquíssimas sessões, com queda abrupta da dose fora do alvo. São ferramentas diferentes, para problemas diferentes. Uma não substitui a outra.

As duas modalidades, e por que ter as duas importa

Acelerador linear (LINAC)

Produz radiação por raios X de alta energia, gerada por um acelerador de partículas. O aparelho gira em torno do paciente, entregando os feixes a partir de múltiplos ângulos. É um equipamento versátil: trata lesões intracranianas e também alvos fora do crânio, e permite tanto a sessão única quanto o fracionamento em poucas sessões, recurso útil em lesões maiores ou próximas de estruturas sensíveis, como o nervo óptico. A imobilização costuma ser feita com máscara termoplástica moldada ao rosto, sem fixação ao crânio.

Gamma Knife

Equipamento dedicado exclusivamente ao crânio. Cerca de duzentas fontes de cobalto-60 dispostas em arranjo fixo emitem raios gama que convergem para o alvo. Por ser dedicado e por sua geometria, oferece um gradiente de dose muito abrupto na borda do alvo, característica valiosa em lesões pequenas coladas em estruturas críticas e em alvos funcionais, onde poucos milímetros mudam o resultado. Trabalha classicamente em sessão única.

Como se escolhe entre as duas

Trabalho com as duas modalidades justamente para que a escolha seja feita pelo seu caso, e não pelo aparelho disponível. Quando a indicação é de LINAC, o tratamento acontece aqui em Aracaju. Quando é de Gamma Knife, eu planejo aqui, encaminho para o serviço de referência e sigo acompanhando você depois.

Onde o tratamento acontece

Avaliação e planejamento

No consultório, em Aracaju.

Radiocirurgia com acelerador linear

Na Clinradi, Avenida Antonio Carlos Leite Franco 500, nos Jardins, em Aracaju. É onde a maior parte dos tratamentos é realizada.

Radiocirurgia com Gamma Knife

Em serviço de referência fora de Sergipe, já que o equipamento não está instalado no estado. A avaliação e o planejamento são feitos aqui, e o acompanhamento posterior volta para Aracaju.

Acompanhamento

Comigo, no consultório, com exames de imagem seriados.

Em qualquer um dos cenários, você não muda de médico no meio do caminho.

Como funciona, passo a passo

  1. 01

    Avaliação e indicação

    Revisão das imagens junto com você, exame clínico e definição sobre se a radiocirurgia é a melhor opção, comparada à cirurgia aberta e ao simples acompanhamento. Nem toda lesão tem indicação.

  2. 02

    Exames de planejamento

    Ressonância e tomografia com protocolos específicos, adquiridos na semana do tratamento. A qualidade dessa etapa determina a precisão de tudo o que vem depois.

  3. 03

    Imobilização

    Máscara termoplástica moldada ao seu rosto ou, quando a modalidade exige, sistema estereotáctico fixado ao crânio sob anestesia local. Você fica acordado, e a equipe permanece em contato com você o tempo todo.

  4. 04

    Planejamento da dose

    Neurocirurgião, radioterapeuta e físico médico desenham em conjunto a distribuição da radiação, milímetro a milímetro, delimitando o alvo e as estruturas a poupar. É a etapa mais demorada, e é ela que faz o tratamento ser o que é.

  5. 05

    Tratamento

    Você fica deitado, imóvel, sem sentir a radiação. Não há dor durante a aplicação. A duração varia conforme o plano.

  6. 06

    Alta e retorno

    Na maior parte dos casos, a alta é no mesmo dia e a rotina é retomada em seguida.

  7. 07

    Acompanhamento

    Exames de imagem seriados avaliam a resposta ao longo dos meses e anos. A lesão pode encolher, parar de crescer ou até inchar temporariamente antes de responder, e essa leitura precisa de quem conhece o caso.

Radiocirurgia é cirurgia?

Não no sentido de corte. O nome vem da precisão com que a dose é entregue, comparável à de um gesto cirúrgico, e não do ato de abrir. Não há incisão, não há retirada de tecido e, na maior parte dos casos, não há anestesia geral.

Dói?

A radiação em si não produz sensação alguma, você não sente nada durante a aplicação. O desconforto possível vem da imobilização: a máscara termoplástica incomoda algumas pessoas, sobretudo quem tem claustrofobia, e a fixação do sistema estereotáctico ao crânio é feita com anestesia local e pode deixar dor nos pontos de apoio, em geral controlada com analgésico simples.

A lesão desaparece?

Nem sempre, e isso não significa falha. O objetivo da radiocirurgia costuma ser o controle, impedir que a lesão continue crescendo, e não o desaparecimento na imagem. Algumas lesões encolhem ao longo dos anos, outras permanecem estáveis, e estabilidade é considerada sucesso. Em alguns casos há aumento transitório antes da resposta, fenômeno esperado que precisa ser interpretado por quem acompanha o caso.

Quanto tempo leva para funcionar?

O efeito é gradual, ao longo de meses a anos, conforme a lesão tratada. Em neuralgia do trigêmeo, o alívio da dor costuma levar semanas a meses. Em MAVs, a obliteração é avaliada ao longo de anos. Radiocirurgia não é um tratamento de efeito imediato, e essa expectativa precisa estar clara desde o começo.

Quais os riscos e efeitos indesejados?

Como todo procedimento, radiocirurgia não é isenta de risco. No período imediato podem ocorrer cansaço, dor de cabeça e desconforto nos pontos de fixação. A médio e longo prazo, o efeito mais relevante é a reação do tecido ao redor do alvo, que em alguns casos evolui para necrose por radiação, podendo exigir tratamento. Também é possível haver perda de função de estruturas vizinhas ao alvo, a depender da região tratada. Os riscos específicos do seu caso dependem do tamanho, da localização e da dose, e são discutidos individualmente antes de qualquer decisão.

Vou perder cabelo?

Na maioria dos casos, não, porque o couro cabeludo fica distante do alvo e recebe dose muito baixa. Em lesões superficiais, próximas à calota craniana, pode ocorrer queda localizada de cabelo na região correspondente, geralmente temporária. Isso é avaliado no planejamento e informado a você antes.

Posso operar depois de fazer radiocirurgia?

Sim. Ter feito radiocirurgia não impede uma cirurgia aberta posterior, se ela vier a ser necessária. Como a dose alta fica restrita ao alvo, os tecidos superficiais e a cicatrização são preservados.

Posso fazer radiocirurgia se já fiz radioterapia na cabeça?

Depende. Não é uma contraindicação automática, mas a dose já recebida entra no cálculo e pode limitar o que é seguro aplicar agora. Traga os relatórios do tratamento anterior à consulta, eles são parte essencial da avaliação.

Preciso ficar internado?

Na maior parte dos casos, não. A radiocirurgia costuma ser feita em regime de hospital-dia, com alta no mesmo dia.

Como sei se sou candidato?

Só a avaliação de um neurocirurgião que atua em radiocirurgia responde a isso, com as imagens em mãos. Ter uma das condições listadas nesta página não significa indicação automática: tamanho, localização, sintomas e quadro clínico geral pesam tanto quanto o diagnóstico.

O plano de saúde cobre?

A radiocirurgia possui cobertura prevista para indicações estabelecidas na saúde suplementar. Cada caso exige relatório e justificativa técnica adequados, e nossa equipe orienta o paciente e a família em todo o processo administrativo junto ao convênio.

Sua dúvida não está entre as perguntas acima? Envie sua pergunta, teremos satisfação em responder.

Enviar minha pergunta

O que também pode ser tratado

Por que a equipe multidisciplinar faz diferença

Radiocirurgia não é operar um aparelho. O plano de tratamento nasce da discussão entre neurocirurgião, radioterapeuta e físico médico, cada um enxergando um aspecto que os outros não enxergam: a doença e a anatomia funcional, a radiobiologia, a física da distribuição de dose. É essa conversa que define onde a dose alta termina e onde o tecido sadio começa.

Quem conduz o tratamento

Dr. Bruno Fernandes, Neurocirurgião

CRM-SE 3918, RQE 3496

Professor Adjunto de Neurocirurgia da Universidade Federal de Sergipe e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS/UFS). Diretor do Departamento de Radiocirurgia da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

Residência em Neurocirurgia pela UNIFESP, fellowship em Neurocirurgia Funcional e Radiocirurgia pelo HCor Neurociência, mestrado profissional em Tecnologias e Atenção à Saúde pela UNIFESP, doutorado em Psiquiatria pela USP e doutorado em Ciências da Saúde pela UFS, com observership em neuro-oncologia no MD Anderson Cancer Center, em Houston.

Integra o corpo clínico do Hospital Primavera, Hospital São Lucas, Hospital Unimed Sergipe, Hospital Decos e Vitta Oncologia.

Atuação em radiocirurgia desde a subespecialização em Neurocirurgia Funcional e Radiocirurgia no HCor Neurociência, com trabalho nas duas modalidades, acelerador linear e Gamma Knife. Diretor do Departamento de Radiocirurgia da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Atende na Vitta Oncologia, na R. Joventina Alves 342, no Salgado Filho, e no Premier Centro Médico, na R. Monsenhor Olívio Teixeira 498, sala 519, no Jardim Europa, em Aracaju.

Currículo Lattes completo

Nem toda lesão precisa ser aberta. Mas só a avaliação diz qual é a sua.

A pergunta que vale a consulta não é qual aparelho é melhor. É se o seu caso se resolve melhor removendo ou controlando, e, se for controlando, com qual das duas ferramentas.

As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individualizada. Resultados variam de paciente para paciente.